Joãozinho da Goméia
Recriação em vídeo usando IA de Joãozinho da Goméia em sua fase adulta, preservando sua memória e presença histórica.
Projeto
O projeto Sementes do Rei do Candomblé é uma experiência imersiva em realidade virtual que celebra a vida e o legado de João da Gomeia, uma das figuras mais emblemáticas do Candomblé no Brasil. Utilizando da tecnologia para criar uma ponte entre o passado e o presente. O projeto consiste em uma vídeo instalação imersiva no formato de jogo virtual, projetada para ser experimentada através de óculos de realidade virtual. Utilizando técnicas avançadas de captura volumétrica e registro tridimensional, criaremos cinco dioramas virtuais representando momentos-chave da vida de João da Gomeia. Além disso o projeto tem como objetivo a inclusão tecnológica e de outras linguagens a grupos historicamente marginalizados, como povo preto e a comunidade de religiões e matriz afro-brasileiras. A proposta consiste em celebrar e preservar o legado de Joãozinho da Gomeia não apenas como um ato de registro histórico, mas como uma obra de arte viva e dinâmica, enriquecida e contextualizada pela linguagem da realidade virtual. Esta abordagem não é uma mera reprodução do passado, mas uma reinterpretação que ressoa com as novas gerações. Utilizar a tecnologia de Realidade Virtual como uma ferramenta não só de imersão, mas também de educação e consciência cultural. A escolha desta tecnologia visa ampliar os horizontes da experiência sensorial e cognitiva, permitindo que o usuário não apenas 'veja', mas 'sinta' e 'viva' os aspectos fundamentais da vida e da obra de Joãozinho da Gomeia.
Através de ferramentas tecnológicas alinhadas à linguagens artísticas, buscamos estratégias de salvaguardar a memória e promover a difusão do legado e continuidade de Joãozinho da Gomeia. Ainda que não seja uma narrativa aplicada à literalidade, existe um compromisso identitário com a figura de Joãozinho e a sua comunidade, hoje representadas pela liderança de Mãe Ceci. Compreendemos que através da arte, seja possível um caminho mais lúdico, didático e livre para contar histórias e produzir novas memórias. Propomos uma preservação não estática, mas viva e fluida, como se é pensando em cosmovisões dentro das comunidades de religiões de matriz afro-afro brasileiras. Onde tudo é contínuo, ciclo e mutável.

Para além da preservação da memória de Joãozinho e de sua comunidade, o projeto tem como um dos seus principais objetivos, ser um instrumento artístico pedagógico. Em sua programação, estão previstas as etapas de exposições itinerantes dos óculos de realidade aumentada por escolas públicas do município de Duque de Caxias. Além da interatividade, e no oferecimento de instrumentos alternativos de se pensar memória, também acreditamos no papel político de enfrentamento do racismo religioso nos dias atuais.

Em 2018, foram registradas 615 denúncias de intolerância religiosa no Brasil. O número saltou para 1.418 em 2023, um aumento de 140,3%. Já o número de violações passou, no mesmo período, de 624 para 2.124, um salto de 240,3%. Entre 2022 e 2023, o aumento das denúncias foi de 64,5% e, o de violações, de 80,7%.

Em paralelo a esse cenário, o município de Duque de Caxias é uma das principais regiões com índices de crime motivados pelo racismo religioso. Com isso, compreendemos os recursos do projeto 'Sementes do Rei do Candomblé' como ferramentas pedagógicas que colaboram para a difusão das comunidades de religiões afro-brasileiras. E estar nas escolas, interagindo com crianças, adolescentes, professores, entendemos como um importante canal de comunicação educativo antirracista, que visa propor diálogos mais horizontais e didáticos, com apoio na tecnologia e na arte, que são linguagens acessíveis de grande impacto narrativo.
Documentação histórica e narrativa viva sobre Joãozinho da Goméia e o Terreiro da Goméia.
Joãozinho da Goméia nasceu na cidade baiana de Inhambupe, localizada a cerca de 150 quilômetros da capital, no dia 27 de março de 1914. Apesar de ter nascido na Bahia e começado sua trajetória no Candomblé em sua terra natal, foi em terras fluminenses que viveu seu apogeu. Ele escolheu o município de Duque de Caxias para instalar 'Manso Bantuqueno Ngomenssa Kat'espero Gomeia', popularmente conhecido como Terreiro da Goméia.
Sobre a escolha de Duque de Caxias, a descendente de espiritual dele, Sandra Reis dos Santos, conhecida como Mãe Seci, destaca que Joãozinho da Goméia ficou encantado ao conhecer o sítio que, depois, seria o lugar escolhido para sediar seu terreiro. Ela ressaltou ainda a probabilidade de ter sentido alguma energia e o estabelecimento de laços com autoridades regionais como Tenório Cavalcanti e Coronel Rabelo, o que proporcionou segurança após ter vivenciado momentos de violência.
Quem, na verdade, puxou a vinda dos baianos e abriu definitivamente o Candomblé no Rio foi o sucesso obtido por João da Gomeia
O Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) aprovou o tombamento provisório do Terreiro da Gomeia, em Duque de Caxias, que passou a constar na lista de bens considerados patrimônios culturais do Estado do Rio de Janeiro.
O processo iniciou em 2019, quando o Inepac foi alertado sobre a intenção da prefeitura de construir uma creche no local do Terreiro. A comunidade, liderada por descendentes espirituais e apoiada por acadêmicos, mobilizou-se para proteger o espaço.
O processo de tombamento conta com mais de 300 páginas de pesquisa documental, incluindo justificativas da comunidade religiosa da Goméia e outras instituições sociais.
A comunidade se organizou através da Associação dos Descendentes da Ndanji Goméia (ADENGO), contribuindo fundamentalmente para o reconhecimento do Terreiro como patrimônio cultural.
Foi o segundo terreiro tombado pelo Estado do Rio de Janeiro, representando um marco na preservação da memória afro-brasileira.
O tombamento provisório foi aprovado em 2021, com expectativa de restauração do espaço e sua transformação em um centro de memória.
Uma coleção de reconstruções digitais e momentos históricos do Terreiro da Goméia, preservados através da tecnologia e inteligência artificial.
Recriação em vídeo usando IA de Joãozinho da Goméia em sua fase adulta, preservando sua memória e presença histórica.
Reconstrução em IA do altar do terreiro após o falecimento de Joãozinho. Baseado em foto original do jornal O Globo, com qualidade aprimorada e animação.
Visualização em pointcloud da histórica capa da Revista Cruzeiro.
Reconstrução tridimensional do Terreiro da Goméia em Duque de Caxias.
Momento especial do primeiro contato de Mãe Seci Caxi com o projeto de realidade virtual.
Modelos tridimensionais ativados sob demanda para preservar o desempenho do site sem comprometer a imersão.
Modelo 3D
Uma representação 3D da vestimenta tradicional de Iansã.

Modelo 3D
Uma representação 3D da vestimenta tradicional de Oxóssi.

Time responsável pela criação, pesquisa e desenvolvimento do projeto.

Artista e Designer de Experiências

Museóloga e Yawo de Omolu

Socióloga e Pesquisadora

Museólogo e Performer

Diretor Audiovisual e Produtor Cultural
Registros do processo e da instalação que expandem a experiência para além do ambiente virtual.
Creditação completa das pessoas e instituições envolvidas no projeto.
Instituições e parceiros que viabilizam o projeto.