Projeto

Sementes do Rei do Candomblé

O projeto Sementes do Rei do Candomblé é uma experiência imersiva em realidade virtual que celebra a vida e o legado de João da Gomeia, uma das figuras mais emblemáticas do Candomblé no Brasil. Utilizando da tecnologia para criar uma ponte entre o passado e o presente. O projeto consiste em uma vídeo instalação imersiva no formato de jogo virtual, projetada para ser experimentada através de óculos de realidade virtual. Utilizando técnicas avançadas de captura volumétrica e registro tridimensional, criaremos cinco dioramas virtuais representando momentos-chave da vida de João da Gomeia. Além disso o projeto tem como objetivo a inclusão tecnológica e de outras linguagens a grupos historicamente marginalizados, como povo preto e a comunidade de religiões e matriz afro-brasileiras. A proposta consiste em celebrar e preservar o legado de Joãozinho da Gomeia não apenas como um ato de registro histórico, mas como uma obra de arte viva e dinâmica, enriquecida e contextualizada pela linguagem da realidade virtual. Esta abordagem não é uma mera reprodução do passado, mas uma reinterpretação que ressoa com as novas gerações. Utilizar a tecnologia de Realidade Virtual como uma ferramenta não só de imersão, mas também de educação e consciência cultural. A escolha desta tecnologia visa ampliar os horizontes da experiência sensorial e cognitiva, permitindo que o usuário não apenas 'veja', mas 'sinta' e 'viva' os aspectos fundamentais da vida e da obra de Joãozinho da Gomeia.

Ano
2024
Tipo
Instalação Imersiva em Realidade Virtual
Especificações
Captura Volumétrica, Nuvem de Pontos, Inteligência Artificial Generativa
Realização
WeSense, Secretaria de Cultura de Duque de Caxias
Contexto

Através de ferramentas tecnológicas alinhadas à linguagens artísticas, buscamos estratégias de salvaguardar a memória e promover a difusão do legado e continuidade de Joãozinho da Gomeia. Ainda que não seja uma narrativa aplicada à literalidade, existe um compromisso identitário com a figura de Joãozinho e a sua comunidade, hoje representadas pela liderança de Mãe Ceci. Compreendemos que através da arte, seja possível um caminho mais lúdico, didático e livre para contar histórias e produzir novas memórias. Propomos uma preservação não estática, mas viva e fluida, como se é pensando em cosmovisões dentro das comunidades de religiões de matriz afro-afro brasileiras. Onde tudo é contínuo, ciclo e mutável.

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[ IMG 001 ] Imagem criada a partir de inteligência artificial representando o encontro com caboclo da pedra preta
Imagem criada a partir de inteligência artificial representando o encontro com caboclo da pedra preta
Contexto

Para além da preservação da memória de Joãozinho e de sua comunidade, o projeto tem como um dos seus principais objetivos, ser um instrumento artístico pedagógico. Em sua programação, estão previstas as etapas de exposições itinerantes dos óculos de realidade aumentada por escolas públicas do município de Duque de Caxias. Além da interatividade, e no oferecimento de instrumentos alternativos de se pensar memória, também acreditamos no papel político de enfrentamento do racismo religioso nos dias atuais.

Vídeo
[ VID Bastidores da captura volumétrica e criação dos dioramas ]
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[ IMG 002 ] Elementos escaneados em 3D, como as vestimentas de Oxossi e Iansã
Elementos escaneados em 3D, como as vestimentas de Oxossi e Iansã
Dados

Em 2018, foram registradas 615 denúncias de intolerância religiosa no Brasil. O número saltou para 1.418 em 2023, um aumento de 140,3%. Já o número de violações passou, no mesmo período, de 624 para 2.124, um salto de 240,3%. Entre 2022 e 2023, o aumento das denúncias foi de 64,5% e, o de violações, de 80,7%.

G1-2024
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[ IMG 003 ] Diorama virtual representando o cenário Duque de Caxias
Diorama virtual representando o cenário Duque de Caxias
Contexto

Em paralelo a esse cenário, o município de Duque de Caxias é uma das principais regiões com índices de crime motivados pelo racismo religioso. Com isso, compreendemos os recursos do projeto 'Sementes do Rei do Candomblé' como ferramentas pedagógicas que colaboram para a difusão das comunidades de religiões afro-brasileiras. E estar nas escolas, interagindo com crianças, adolescentes, professores, entendemos como um importante canal de comunicação educativo antirracista, que visa propor diálogos mais horizontais e didáticos, com apoio na tecnologia e na arte, que são linguagens acessíveis de grande impacto narrativo.

Vídeo
[ VID Bastidores da criação dos dioramas e detalhes técnicos ]
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Memória e contexto

Documentação histórica e narrativa viva sobre Joãozinho da Goméia e o Terreiro da Goméia.

Joãozinho da Goméia nasceu na cidade baiana de Inhambupe, localizada a cerca de 150 quilômetros da capital, no dia 27 de março de 1914. Apesar de ter nascido na Bahia e começado sua trajetória no Candomblé em sua terra natal, foi em terras fluminenses que viveu seu apogeu. Ele escolheu o município de Duque de Caxias para instalar 'Manso Bantuqueno Ngomenssa Kat'espero Gomeia', popularmente conhecido como Terreiro da Goméia.

Sobre a escolha de Duque de Caxias, a descendente de espiritual dele, Sandra Reis dos Santos, conhecida como Mãe Seci, destaca que Joãozinho da Goméia ficou encantado ao conhecer o sítio que, depois, seria o lugar escolhido para sediar seu terreiro. Ela ressaltou ainda a probabilidade de ter sentido alguma energia e o estabelecimento de laços com autoridades regionais como Tenório Cavalcanti e Coronel Rabelo, o que proporcionou segurança após ter vivenciado momentos de violência.

  • Primeiro pai-de-santo a realizar um pronunciamento público a favor da liberdade de culto para religiões de matriz africana
  • Combinou sua expressão artística com sua fé, alcançando muito sucesso e várias conquistas em ambos os campos
  • Inovou nas vestimentas com uso de novas técnicas de costura e tecidos exuberantes
  • Mantinha relações com pessoas dos mais diversos segmentos sociais
  • Deu apoio a diversos líderes religiosos que se estabeleceram no Rio de Janeiro
  • Prestava assistência social à comunidade, distribuindo cestas básicas, alimentos e brinquedos
  • Foi pioneiro na expansão do Candomblé no Rio de Janeiro
  • Tencionava os padrões de gênero e sexualidade da época
  • Transformou Duque de Caxias em um polo cultural e religioso

Quem, na verdade, puxou a vinda dos baianos e abriu definitivamente o Candomblé no Rio foi o sucesso obtido por João da Gomeia

BAIANO apud BENISTE, 2020, p. 334

Tombamento do Terreiro da Goméia

O Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) aprovou o tombamento provisório do Terreiro da Gomeia, em Duque de Caxias, que passou a constar na lista de bens considerados patrimônios culturais do Estado do Rio de Janeiro.

O processo iniciou em 2019, quando o Inepac foi alertado sobre a intenção da prefeitura de construir uma creche no local do Terreiro. A comunidade, liderada por descendentes espirituais e apoiada por acadêmicos, mobilizou-se para proteger o espaço.

O processo de tombamento conta com mais de 300 páginas de pesquisa documental, incluindo justificativas da comunidade religiosa da Goméia e outras instituições sociais.

A comunidade se organizou através da Associação dos Descendentes da Ndanji Goméia (ADENGO), contribuindo fundamentalmente para o reconhecimento do Terreiro como patrimônio cultural.

Foi o segundo terreiro tombado pelo Estado do Rio de Janeiro, representando um marco na preservação da memória afro-brasileira.

O tombamento provisório foi aprovado em 2021, com expectativa de restauração do espaço e sua transformação em um centro de memória.

02

Memória Digital da Goméia

Uma coleção de reconstruções digitais e momentos históricos do Terreiro da Goméia, preservados através da tecnologia e inteligência artificial.

Recriação em IA

Joãozinho da Goméia

Recriação em vídeo usando IA de Joãozinho da Goméia em sua fase adulta, preservando sua memória e presença histórica.

Recriação em IA

Altar do Terreiro da Goméia

Reconstrução em IA do altar do terreiro após o falecimento de Joãozinho. Baseado em foto original do jornal O Globo, com qualidade aprimorada e animação.

Documentário

Revista Cruzeiro em Nuvem de Pontos

Visualização em pointcloud da histórica capa da Revista Cruzeiro.

Documentário

Goméia Caxias em 3D

Reconstrução tridimensional do Terreiro da Goméia em Duque de Caxias.

Experiência

Primeira Experiência de Mãe Seci Caxi

Momento especial do primeiro contato de Mãe Seci Caxi com o projeto de realidade virtual.

03

Experiência em Realidade Aumentada

Modelos tridimensionais ativados sob demanda para preservar o desempenho do site sem comprometer a imersão.

Modelo 3D

Roupa de Iansã

Uma representação 3D da vestimenta tradicional de Iansã.

Roupa de Iansã

Modelo 3D

Roupa de Oxóssi

Uma representação 3D da vestimenta tradicional de Oxóssi.

Roupa de Oxóssi
04

Equipe

Time responsável pela criação, pesquisa e desenvolvimento do projeto.

Clelio de Paula

Clelio de Paula

Artista e Designer de Experiências

Emanuelle Rosa

Emanuelle Rosa

Museóloga e Yawo de Omolu

Fernanda Bouzan

Fernanda Bouzan

Socióloga e Pesquisadora

George Abreu

George Abreu

Museólogo e Performer

João Vittor Pedroza

João Vittor Pedroza

Diretor Audiovisual e Produtor Cultural

05

Galeria

Registros do processo e da instalação que expandem a experiência para além do ambiente virtual.

06

Ficha técnica

Creditação completa das pessoas e instituições envolvidas no projeto.

Direção Tecnológica e Criativa
Clelio de Paula
Pesquisa Histórica e Intermediação
Fernanda Bouzan
Direção de Fotografia
João Vittor Pedroza
Captura Volumétrica
Clelio de Paula
Curadoria
Emanuelle Rosa, George Abreu e Fernanda Bouzan
Desenvolvimento de Projeto
Emanuelle Rosa
Desenvolvimento e Tecnologia
WeSense

Agradecimentos especiais

  • Ao Terreiro da Goméia pela colaboração e apoio contínuos
  • A todas as comunidades de Candomblé que compartilharam suas histórias
  • A Mãe Seci Caxi
  • Museu Vivo do São Bento
  • Secretaria de Cultura de Duque de Caxias
  • Lorena
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Apoio e realização

Instituições e parceiros que viabilizam o projeto.

WeSense
Secretaria de Cultura de Duque de Caxias
Governo Federal